segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Portugal Vinhos & Historia // Parte I


As Bodas de Caná.,1562-63. Por Paolo Veronese, Louvre, em Paris.


O vinho ocupa nas necessidades do Homem um lugar de destaque, por ser a única bebida que, na civilização greco-latina, transporta em si um valor cultural.
Mesmo antes do cristianismo, ele representava mais do que um símbolo. 
Os escritores, os poetas gregos, helenísticos, latinos e, até, turcos, cantaram o vinho não só como fonte de satisfação material como, também, meio de excitar o espírito, de desenvolver o pensamento e, até, de favorecer a criação de sentimentos estéticos e morais.
O vinho foi sempre considerado como a mais nobre bebida, a primeira que se oferece a um convidado e a que melhor permite apreciar o talento do produtor. 



Não só as ferramentas e o material necessário para a viticultura são de uma riqueza extraordinária como, também, as aldeias, as casas e até a própria paisagem são moldadas pelo cultivo da vinha. A maneira de viver, os costumes e a mentalidade são particularmente marcados, pelo que é possível dizer-se que existe uma cultura ligada ao vinho.



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O amor à arte e o amor ao vinho têm-se confundido ao longo da história das civilizações. 
A riqueza dos espólios existentes em museus e coleções particulares atesta em numerosos países que, em todas as épocas, os artistas puseram o seu talento ao serviço da vinha e do vinho, tanto na pintura, como na escultura, gravura, tapeçaria, miniaturas, iluminuras, ourivesaria, vitral, vidraria, cerâmica, etc.
Portugal tem uma cultura que se preza de possuir uma herança patrimonial muito rica, ligada à vinha e ao vinho e que remonta a uma época muito anterior à fundação da Nacionalidade, tornando-se necessário a sua preservação.

É esse o papel dos Museus do Vinho, eles representam os instrumentos indispensáveis para a compreensão da função civilizadora da vinha e do vinho.
O Instituto da Vinha e do Vinho está a desenvolver um projeto que visa a recuperação, preservação e disponibilização ao público do enorme espólio que possui, herdado da Junta Nacional do Vinho. Este projeto contempla também a reorganização e dinamização do Museu Nacional do Vinho, em Alcobaça.



O Museu Nacional do Vinho está instalado na antiga Adega que, em 1875, José Eduardo Raposo de Magalhães mandou edificar para aí implementar e desenvolver a vinicultura da região. Alcobacense ilustre, de índole generosa e de personalidade multiface data, licenciou-se em Engenharia Militar, cursou Filosofia e Matemática em Coimbra, foi, também, músico amador e regente, mas será na sua dedicação à Agricultura que irá dar alto renome à sua terra.Responsável maior pela fama e desenvolvimento da vitivinicultura de Alcobaça aplicou, na construção da sua Adega, a tecnologia mais avançada do seu tempo, patente ainda hoje na qualidade dos materiais, na racionalidade dos espaços e nas condições de higiene preconizadas.
Em 1948, a Junta Nacional do Vinho (JNV) , organismo corporativo e de coordenação econômica, adquire aos Herdeiros de José Eduardo Raposo de Magalhães, a referida adega e terrenos adjacentes, passando aí a funcionar a Adega Cooperativa e os Armazéns da JNV , devidamente modernizados e ampliados, nomeadamente na construção dos Depósitos "Air form".
Em 1968, decorrente do encerramento de alguns dos Armazéns da JNV, foi dado início à recolha de material vinário disperso nas suas várias Delegações. 
Exercendo, na época, funções de Delegado da JNV em Leiria, Manuel Augusto Paixão Marques , pessoa de grande sensibilidade para a conservação patrimonial, cedo se interessou pelo espólio que se adensava e que, por razões logísticas, ia sendo reunido em Alcobaça. 

Em 1976, com a passagem da Adega Cooperativa para novas instalações e correspondente desativação das adegas e dos depósitos, procedeu, então, à organização dos diversos espaços museológicos. Assim, ciente do valor histórico, científico e etnográfico das peças em questão, foi dando início a uma coleção única e preciosa, enriquecida, também, com doações e material posteriormente adquirido em antigas adegas e antiquários, que sistematicamente percorreu e aturadamente investigou, como todo o verdadeiro colecionador, em permanente busca de um ou outro objecto fundamental, temporariamente perdido.

A partir de 1986, com a Organização Comum de Mercado do Vinho, resultante as adesão de Portugal à Comunidade Econômica Europeia, foi criado o Instituto da Vinha e do Vinho , organismo que herdou o patrimônio documental, móvel e imóvel da extinta Junta Nacional do Vinho. 
É já na vigência desta instituição que o Museu Nacional do Vinho , em Alcobaça, abrirá as suas portas ao público, ocupando um núcleo de edifícios de indiscutível interesse arquitectónico e reunindo o mais importante espólio vitivinícola existente em Portugal.




Testemunho da evolução do sector, este Museu conta com um acervo de cerca de dez mil peças distribuídas pelas várias instalações coevas da primitiva adega: 
Adega dos Balseiros




Adega dos Depósitos 


Adega dos Vinhos Brancos 

Adega dos Vinhos Tintos 

Adega dos Tonéis . 
Em instalações anexas aos edifícios principais e testemunhando a intensa altividade que estes espaços conheceram outrora, existem, ainda, uma Abegoaria.



Oficina de Tanoaria 


uma antiga "Casa da Malta", única em Portugal, 
e uma Taberna.

Casta branca mais vulgarmente cultivada na Ilha da Madeira antes do aparecimento da filoxera, estimando-se que teria cerca de 2/3 do total das videiras existentes. No passado poderia ser encontrada ainda uma variedade tinta denominada por Verdelho Tinto.
Cacho de Alvarinho, casta característica do Vinho Verde

Em Portugal, como na Europa, são usadas numerosas castas de Vitis vinifera. A vastíssima quantidade de castas nativas (cerca de 285) permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia The Oxford Companion to Wine descreve o país como um verdadeiro "tesouro de castas locais".
Algumas das castas tintas Portuguesas mais importantes são: 
Touriga Nacional, Baga
Castelão
Touriga Franca 
Trincadeira (ou Tinta Amarela). 
Entre as castas brancas Portuguesas destacam-se: 
Alvarinho, 
Loureiro, 
Arinto
Encruzado
Bical
Fernão Pires
Moscatel
Malvasia Fina. 

Na sequência da devastação causada pela filoxera em finais do século XIX, passou a ser utilizada uma casta Americana como porta-enxerto das castas Portuguesas são enxertadas. Apesar de terem características próprias, há que considerar que a mesma casta de uva poderá produzir vinhos diferentes consoante as condições em que é cultivada.
Tem existido um debate em Portugal relativamente ao uso de castas de castas estrangeiras. O debate contínua uma vez que muitos mercados estrangeiros parecem preferir castas que já conhecem como Cabernet Sauvignon em relação às castas Portuguesas, menos conhecidas.


Edição de texto e fotos
Leila Bumachar
Sites de informação, conteúdo e fotos:
http://www.ivv.min-agricultura.pt/np4/26
http://www.ivv.min-agricultura.pt/np4/129.html
http://www.lifecooler.com/artigo/passear/museu-do-vinho-de-alcobaca/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinho