quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Wines of Chile

Wines of Chile estreia no Rio de Janeiro e promove a ‘Diversidade do Chile’ na capital carioca 


Numa quarta-feira de sol límpido e brilhante em plena primavera carioca ,23 de outubro, CHA2 comunicação, com a impecável  organização e coordenação da Alessandra Casolato e sua equipe, realizou no  Rio de janeiro com o visual da praia de Ipanema no restaurante Vieira Souto,  Master Class e Cocktail , Wines of Chile 2013. 







A combinação única de um clima Mediterrâneo moderado e variadas condições geográficas fazem do Chile um lugar ideal para uma produção eco-amigável de variados estilos de vinho. A vinicultura sustentável é uma escolha lógica e vinhedos orgânicos e biodinâmicos estão em aumento. De fato, alguns dos maiores vinhedos orgânicos estão aqui mesmo no Chile, onde a natureza fornece tudo que as videiras precisam para produzir as uvas mais finas que os atuais consumidores de mente ecológica e conscientes de valores exigem.(http://www.winesofchile.org/)





Segue o realease do competente material entregue aos felizardos participantes do evento.



                                              
Reconhecido internacionalmente por sua produção diversificada, o Chile possui uma geografia privilegiada e rica em características climáticas, o que o torna um dos terroirs mais aptos para elaborar vinhos de variadas cepas e de alta qualidade. Desde 2002 ocupa a posição número 1 na importação de vinhos no Brasil, liderando o mercado com 42,6%. Em 2012 a entrada de vinhos chilenos em território nacional registrou crescimento de 13,6%, o que representa um aumento de 26.642 para 30.258 litros.

O Rio de Janeiro está entre os mercados prioritários para os vinhos do Chile, e pela primeira vez recebe uma degustação exclusiva da Wines of Chile com o tema ‘Diversidade do Chile’ e participação de vinícolas expressivas daquele terroir como Arboleda, Casa Silva, Concha y Toro, Echeverria, El Principal, Viña Maipo, Viña Ventisquero e Yali.


“O Rio de Janeiro é um dos principais mercados para a Wines of Chile no Brasil, onde lideramos o ranking de importação de vinhos. Esta é a primeira atividade que fazemos no Rio de Janeiro e o objetivo é investir cada vez mais em ações na cidade”, resume Claudio Cilveti, managing director da Wines of Chile. 



Wines of Chile


A Wines of Chile é a associação responsável por divulgar os vinhos chilenos no mercado mundial. Representa cerca de 90 vinícolas e, além de sua sede em Santiago, tem escritórios em Londres e Nova York, representantes no Brasil, Canadá e Ásia. Trabalha em parceria com a ProChile (Direção de Promoção de Exportações, instituição do Ministério de Relações Exteriores do Chile) para desenvolver e oferecer programas promocionais e educacionais na Ásia, América (Norte e Sul) e Europa.

Alessandra Casolato – alessandra.casolato@ch2a.com.br
Magaly Corgosinho – coordenadoria@ch2a.com.br
Débora Rodrigues – atendimento2@ch2a.com.br
CH2A Comunicação Tel. (11) 3253.7052












Vinhos que foram alegremente degustados 





ECHEVERRIA FAMILY WINES
PINOT NOIR RESERVA 2011

ARBOLEDA
PINOT NOIR 2012

HERÚ 
PINOT NOIR 201O

TERRUNYO CARMENERE 2009



VIÑA MAIPO LIMITED EDITION
SYRAH 2008

COOL COAST 
PINOT NOIR 2012

MEMORIAS 2008
 YALI CARMENERE 2010






Fotos apresentadas neste texto foram cedidas por:
CH2A COMUNICAÇÃO/SITE WINES OF CHILE/ L. BUMACHAR CONSULTORIA.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

VINHO DO PORTO / PARTE I



VINHO DO PORTO

Os textos que se seguem são em grande parte escritos pelo autor do site, não sendo um especialista em vinho do Porto, embora o aprecie , tive que recorrer algumas referências históricas e datas, retiradas de outra bibliografia e revistas: Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura da Verbo, A Grande aventura do Vinho do Porto, do Instituto do Vinho do Porto e Venha conhecer o Norte - Porto Patrimônio Mundial , do enólogo Carlos Soeiro á revista Invicta - Meios.,Companhia de Vinho do Porto CROFT, 



INSTITUTO DO VINHO DO PORTO








O vinho do Porto é um dos grandes clássicos do Mundo e nenhuma refeição , formal ou não, está completa sem ele. Tal como em qualquer região produtora de Vinho, o Vinho do Porto é o resultado de uma combinação única de clima, solo e vinhas, que gerações de pessoas, com a sua dedicação e habilidade, permitiram exprimir num grande vinho. O seu encanto, tal com em outros vinhos, é tão intemporal e importante hoje como o era há mais de trezentos anos quando os primeiros vinhos do Porto Croft foram produzidos. Há quem hesite em servir um Vinho do Porto aos seus convidados porque temem servir o vinho errado ou enganar-se. Com as notas que se seguem pretende-se explicar as noções básicas sobre o Vinho do Porto e dissipar alguns dos seus mistérios.

As uvas utilizadas no Vinho do Porto, crescem na Região do Alto - Douro, uma das regiões mais belas do Mundo. Esta região fica a cerca de 100 km da costa o que a protege das influências dos ventos do Atlântico, pela cadeia montanhosa do Marão . É uma região com características climáticas particulares, pois é muito quente e úmida no Verão e muito fria no Inverno. A uma propriedade com vinhas , chama-se Quinta.

O solo do Alto Douro é constituído principalmente por uma rocha laminada e cor-de-ocre chamada XISTO. Este solo é rico em nutrientes mas de drenagem fácil, o que obriga as raízes das vinhas a descerem a grandes profundidades através de fissuras nas rochas para encontrarem água. Devido ás condições do terreno e clima a produtividade é baixa ( Mesmo nas melhores quintas como a de Roêda não ultrapassam o meio litro por vinha.) , mas o sumo é extremamente rico e concentrado.

AS CASTAS - Podem ser utilizadas cerca de trinta castas na produção do Vinho do Porto , mas modernamente só se utilizam, a densa e concentrada Touriga Nacional, a frutada e encorpada Touriga Francesa, a firme e delicada Tinta Roriz e a rica e fragrante Tinta Barroca.
As uvas são colhidas á mão e normalmente na segunda quinzena de Setembro.

O PROCESSO DE FORTIFICAÇÃO - O vinho do Porto é um vinho fortificado. O processo de fortificação envolve a adição de uma pequena quantidade de aguardente vínica numa dada altura do processo de vinificação .

O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO - A fermentação e a fortificação são apenas a fase inicial do processo de produção do Vinho do Porto. Devem ser sempre seguidas por um período de envelhecimento que permitirá amadurecer o vinho e desenvolver e apurar os seus sabores. A maioria do Vinho é envelhecida nas sombrias caves de V. N. Gaia onde o clima temperado do litoral assegura que envelheçam lenta e harmoniosamente. 
Uma das propriedades do Vinho do Porto é a sua capacidade de ganhar complexidade e sabor com o decorrer dos anos em madeira. Isto deve-se ao facto de ser um vinho extremamente concentrado e com um enorme potencial aromático.

UM POUCO DE HISTÓRIA




Desde tempos remotos, muito antes de os romanos terem chegado á Península Ibérica, que na região do Douro se cultivava a vinha. Já Estrabão ( séc. I a.C. ) se refere á cultura do vinho na região do Douro. Na Idade Média, as ordens conventuais , nomeadamente os Conventos de Salzedas, S. Pedro das Águias e o Convento de Tarouca, como grandes proprietários de terras, cultivavam grandes área de vinhas.
Este cultivo tornou-se um fator de grande importância econômica para toda a região. Já se exportava vinho para a corte de Castela em 1513 e em 1678, designa-se pela primeira vez, Vinho do Porto ao ser exportado para Inglaterra.
Em 1703, foi assinado o tratado de Methuen, entre Portugal e a Inglaterra, que isentava de direitos alfandegários o comércio do Vinho do Porto. Isto veio trazer um grande incremento no comércio do vinho.
Comerciantes ingleses, alemães e até de outras nacionalidades, instalaram-se na Cidade do Porto. Devido ao grande incremento na procura do vinho, a região do Douro pela zona do Corgo começou a sofrer grandes transformações paisagísticas, que lhe trouxeram rara beleza, pois milhares de homens começaram a fazer das encostas do Douro verdadeiros socalcos, patamares que ganhavam espaço para o cultivo da vinha. Foi uma fase de grande crescimento entre 1680 e 1730, altura em que diversas crises afetaram o comércio do vinho.
Acusações de adulteração, fraudes, com adição de brandy, açucares e outras substâncias, trouxeram o descrédito do produto , fazendo baixar a sua qualidade e o preço do vinho.
Os Ingleses, deixaram de comprar vinho e por sua pressão assim como de alguns agricultores, o Primeiro - Ministro de então, José de Carvalho e Melo impôs em 1756 um Alvará - Régio em que se declarava e se delimitava a uma área de 2500 Km2 a possibilidade de cultivar o vinho do Porto, tornando-se assim a primeira região demarcada do Mundo. ( Em 1907 fez-se nova definição a que aludirei mais para a frente. ).
Das suas zonas, Alto Douro, Baixo Corgo e Alto Corgo ( onde se localiza o Pinhão), a última é que produz o vinho de melhor qualidade.
O vinho, passou então a ser regulado e classificado segundo a sua qualidade, que na altura, tomavam o nome de:
Feitoria - Eram os vinhos que podiam ser exportados, os mais sofisticados.
Segunda escolha - Eram os vinhos que eram exportados para o Brasil e para a Rússia.
Ramo Wines - Eram então os vinhos distribuídos localmente e que abasteciam as adegas do Porto.


Os preços, subiram então em flecha, ainda por cima controlados por estrangeiros, o que deu origem a uma sublevação popular em 23 de Fevereiro de 1757. A rebelião foi rapidamente controlada pela tropa e mais de 478 pessoas foram presas e levadas a tribunal. 21 homens e cinco mulheres foram enforcadas e mais de 120 foram enviadas para o exílio.
Seguiram-se momentos altos e baixos no comércio do vinho do Porto. Como fatores positivos foram alargados os canais em vários locais mais perigosos do Rio Douro onde os Barcos Rabelos faziam o transporte dos barris.
No entanto, nova crise rebentou com as Invasões Francesas , fazendo com que a corte se pusesse a salvo no Brasil nos princípios do séc. XIX.

Com a queda de Napoleão, a crise foi ultrapassada, mas logo em 1832 durante o cerco do Porto pelas Tropas Liberais, os Miguelistas em fuga atearam o fogo ás Caves que se situavam no Porto e em V. N. Gaia. Milhares de barris e toneis onde envelhecia o vinho do Porto e Brandys arderam.
A adicionar a todas estas desgraças , juntaram-se o peso da concorrência e da competitividade com os outros mercados.
Cerca de 80 anos de políticas intervencionistas chegaram finalmente ao fim ( 1756 - 1834 ). O Vinho do Porto conheceu de novo um grande apogeu com a melhoria dos preços.
Novas plantações, rapidamente foram surgindo e os socalcos na margens do Douro aumentando.
Dificuldades de comércio e financeiras tomaram de novo lugar em 1835. Por esta altura, Joseph James Forrester, o Barão de Forrester, opôs-se frontalmente contra a adulteração do vinho e o modo de o fabricar, defendendo assim a sua pureza e qualidade, acusando ao mesmo tempo de mixordeiros os negociantes e produtores de adicionarem grandes quantidades de brandy e açúcar para tornar o vinho mais doce.
No inicio do séc. XVIII , ressalta a figura da jovem viúva de 33 anos da Família dos Ferreiras , A Sra. D. Antônia, que se entregou de alma e coração ao vinho do Porto . Comprando novas terras, cultivando enormes áreas não cultivadas ela trouxe por si só, um novo alento ao fabrico genuíno da vinha.

No entanto, a desgraça bate mais uma vez ás portas da vinha, em 1852, um fungo com o nome de Oidium , atacou a vinha destruindo em pouco tempo enormes quantidades e cultivos inteiros desgraçando e pondo na miséria muitas famílias. Felizmente no fim da década, apareceu a sulfatagem que rapidamente controlou a praga acabando com ela. Nesta altura, o governo investiu em comunicações e o primeiro comboio chega ao Pinhão no ano de 1879 e a Barca de Alva em 1887.
Convém aqui referir, aliás já atrás no texto aludimos a isso, o famoso Barco Rabelo que era o principal meio de transporte de todo o tráfego de barris que se transportavam para as Caves do Porto e V. N, Gaia. Este meio, foi durante séculos, o único meio de transporte do vinho até ao seu destino no Porto. Pela sua importância transcrevemos de seguida e na integra o que a Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura da Verbo diz sobre este famoso barco: O BARCO RABELO





BARCO RABELO - Grande barco fluvial do Douro, de origem muito antiga e mal definida, de fundo chato sem quilha externa, pontudo nas duas extremidades , de secção trapezoidal, bordos de trincado simples, de construção pesada e grosseiras de madeiras vulgares, geralmente pinho ou castanho. Navegava com a corrente, á vela ou a sirga, puxado por juntas de bois, conforme as circunstancias e as possibilidades. Era governado por um enorme e pesadíssimo remo longitudinal, a espadela, quase tão longo como ele, espécie de " rabo " a que deve o nome , apoiado na extremidade da popa , cujo punho ficava altíssimo. Por isso o timoneiro se instalava na apegada , espécie de castelo ou ponte com 2 metros de altura de onde tinha perfeita visibilidade por cima da carga.
A 1/3 de distância da popa e logo avante da apegada ficava o mastro, facilmente desmontável, em que se içava uma verga redonda para uma grande vela quadrangular . Eram empregados , sobretudo no transporte de vinho do Porto, raro passando a montante do Pocinho, chegando até Barca de Alva. Num verdadeiro e sempre penoso feito de pilotagem fluvial, desciam o Douro, com os seus baixos, rápidos, obstáculos submersos, estreitos, gargantas, curvas apertadas, rajadas bruscas desencontradas, carregadíssimos até a borda. No regresso, a chamada «torna viagem» aligeirados, levavam carga geral. Os maiores carregavam 40 ou 50 pipas. Outrora, chegou a haver de 100 pipas, proibidos em 1792 por perigosos. Em 1930 havia cerca de 300 barcos inscritos; em Maio de 1971 tinham deixado de navegar.
O ultimo barco rabelo largou de Saltinho ( Freixo de Espada á Cinta ) a 5 de Maio para a 1 ª de 4 etapas que terminaram no Porto no dia 8 de Maio.
Assim se extinguiu o maior, mais antigo, típico e curioso barco fluvial português.

Nas convenções de Paris ( 1883 ) Madrid ( 1891 ) e Bruxelas ( 1900 ) , Portugal defendeu a posição de que ninguém se poderia apropriar do nome que com tanto labor, conquistou reputação internacional.
Novos métodos de preparação da terra de particularidade xistosa , ( acrescento aqui um aparte, pois esta particularidade xistosa é muito importante para esta qualidade de vinha ,pois sendo a região muito quente durante o dia, arrefece muito durante a noite e aqui o xisto tem um grande papel que é o de conservar durante a noite o terreno a uma temperatura que mantém a raiz da vinha a uma temperatura média ideal para o seu desenvolvimento.), mas como ia dizendo, além dos novos métodos, novos terraços com paredes mais sólidas, foram sendo construídos, aumentando significativamente a área de cultivo.
O Rei D. Carlos, e o seu Primeiro-ministro, João Franco, introduziram novas medidas de regulamentação, na preparação, produção, venda e exportação do vinho do Porto, praticamente retornando á política do Marquês de Pombal, 150 anos antes. Novas demarcações foram feitas em 1907 e finalizadas em 1908, apenas ligeiras alterações foram acrescentadas em 1921, mantendo-se a demarcação até aos nossos dias.
Os trágicos acontecimentos do principio do século trouxeram novos problemas, e em 1915, dá-se nova revolta em Lamego, que se traduz em 11 mortos e inúmeros feridos. Eles lutavam contra a inércia do governo, a fraude e as constantes alterações de preços.
Durante a primeira republica, movimentos regionalistas tomaram posições e nasce o movimento, " Paladinos do Douro " que propõe uma federação dos agricultores do vinho do Porto. Após longas negociações dirigidas por Antão de Carvalho, o governo aprova a « Casa do Douro » e seus estatutos que lhe dão o poder de regular e promover a produção.
Em 1933, é criado o Instituto do Vinho do Porto que garante a qualidade do produto e o promove no estrangeiro.
Depois da Revolução de Abril de 1974, as corporações foram abolidas , dando a possibilidade de crescimento de novas organizações e instituições que se foram organizando.
Em Outubro de 1995 é criada a Comissão da Região Demarcada do Douro.
Cria-se a Associação dos Exportadores, conhecida como a Associação das Companhias do Vinho do Porto.




A associação não é obrigatória e algumas Companhias iniciam o mercado direto.
A Confraria do Vinho do Porto , foi criada em 1982.



 COLHEITA 
Antigamente, e ainda hoje, o solo é preparado pela primeira vez no fim do Outono princípios do Inverno, depois é preparado uma segunda vez na Primavera. Chegado o Outono, meados de Setembro ou princípios de Outubro, inicia-se a colheita, os cestos e os lagares são lavados e homens e mulheres percorrem os campos colhendo as uvas, que são levadas para a adega onde são esmagadas e onde se inicia o processo de fermentação.
A fermentação é o processo comum a todos os vinhos, em que o açúcar do sumo da uva é convertido em álcool por microrganismos conhecidos por leveduras. Nos lagares, os homens fazem primeiro um pisar das uvas quase em ritmo de marcha militar, quando cerca de metade do açúcar natural do sumo, já foi convertido em álcool, a pisa é interrompida e as cascas em fermentação são deixadas á superfície do lagar. O vinho em fermentação, é então retirado debaixo das cascas para uma cuba, onde é misturada a aguardente vínica a 77º. 
Este processo eleva a graduação do vinho e interrompe a fermentação. Como resultado, muito do açúcar natural é mantido no produto final. O pisar das uvas, é normalmente feito por homens que de de braço dado e ao ritmo de uma concertina e cantares populares dão inicio ao pisar das uvas.



Hoje em dia, a maior parte destas tarefas é feita mecanicamente.



O vinho do Porto é então transferido para as Caves, situadas maioritariamente em V. N. Gaia, hoje quase a 100%, onde depois de preparados, testada a sua qualidade são então devidamente certificados.
As Caves de vinho do Porto são autênticos santuários, onde enormes barris de casco de carvalho,ás centenas, guardam o precioso néctar onde este repousa durante os anos envelhecendo.

O vinho do Porto divide-se em duas grandes famílias:
Os Tintos e os Brancos.

O Porto Branco é feito exclusivamente de uvas brancas e varia entre o muito doce , doce, meio - seco, seco e extra - seco e o teor alcoólico varia entre os 19º vol. aos 22º vol., apenas os Dry light tem 16.5º.

Há dois grandes grupos de tintos:
Que não exibem data de colheita, conhecidos por Blends e que são:
Ruby , Tawny, 10 anos, 20 anos, 30 anos, e mais de 40 anos.
E os vinhos tintos com data de colheita, denominados Vintages, e que são:
Vintage Character ( VC ) , Late Bottle Vintage ( LBV ), e Colheitas. - Estes são os melhores vinhos , dos melhores anos.

Os vinhos brancos são excelentes aperitivos, devem ser servidos ligeiramente frescos e acompanhados por umas azeitonas nozes ou alguns queijos.

Os Tintos , vão muito bem , com queijo e outros aperitivos. O vinho tinto não é necessariamente um vinho só de sobremesa, acompanhando bastante bem algum numero de certos pratos refinados.
Os patês por exemplo são ótimos quando na sua companhia.




Vintage:
Um Vintage envelhecido em boas condições só de verá ser bebido 10 a 15 anos após a colheita.
Há que ter cuidados especiais na sua abertura, pois como o seu envelhecimento se processa dentro da garrafa há uma grande quantidade de depósito dentro dela , fruto da precipitação dos taninos e da matéria corante. O ritual da abertura de um Vintage deverá começar com mais de 24 horas de antecedência e deverá seguir a seguinte ordem:
1- Escolha do Vintage que se quer abrir e colocá-lo em repouso vertical pelo menos durante 24 horas.
2- Abrir com todo o cuidado e sem abanar a garrafa, decantando-a para um " DECANTER " e deixar o vinho em repouso cerca de duas horas, após o que se deverá beber acompanhado de um bom queijo.

SOLAR DE LISBOA


A celebrar 65 anos de existência, o Solar do Vinho do Porto, que se localiza na Rua de S. Pedro de Alcântara, em pleno Bairro Alto, precisamente numa das zonas mais típicas de Lisboa, renova-se para conquistar a cidade.


Inaugurado a 19 de Fevereiro de 1946, o espaço situado nas instalações do Palácio de Ludovice, apresenta-se aos visitantes com uma nova decoração que procurará recriar uma atmosfera de charme, arrojada e provocante da autoria de Paulo Lobo.  O designer direcionou a intervenção para aspectos simples mas fundamentais como a iluminação - pontual e teatral - e a recuperação de mobiliário antigo e a criação de uma nova garrafeira que vai permitir manter no mesmo local espólio antigo e as garrafeiras atuais.


Na sala de provas existem azulejos do edifício original do Palácio, uma azulejaria muito rica do século XVIII, em tons de azul. E é esta cor que agora se recupera para marcar toda a sala, desde a alcatifa até às paredes. No salão principal, a cor dominante passa a ser o verde-inglês, recuperando assim uma das tonalidades que marcou o espaço durante a década de 60.




Classificado como "Bar de Luxo", no Solar do Vinho do Porto é possível provar as diferentes categorias e tipos de Vinho do Porto e do Douro. São mais de 300 referências de Vinhos da Região Demarcada do Douro que representam mais de 60 empresas do sector. Também se realizam "Portos de Honra", provas técnicas, harmonizações e reuniões de empresas.


Se passar na Praça dos Restauradores, bem no coração da cidade,  apanhe o Elevador da Glória e visite o Solar, desfrutando de belíssimas instalações no Palácio de Ludovic, onde no seu calmo e confortável  ambiente poderá provar os diferentes tipos e marcas de Vinho do Porto ou, se é um apreciador, saborear o Vinho do Porto da sua preferência.
Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P.
Solar do Vinho do Porto - Lisboa
Rua de S. Pedro de Alcântara, 45
1250-237 Lisboa - Portugal

Edição do texto e fotos : Leila Bumachar
Dados: Este texto possui trechos  que fazem parte de uma pequisa no  folheto distribuído pela Companhia Croft 
Wikepidia /http://www.portugal-live.net/P/places/porto.html
 http://castanheira2006.b/ Wikepedia
Instituto/http://pt.wikipedia.org/wiki/

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Portugal Vinhos & Historia // Parte I


As Bodas de Caná.,1562-63. Por Paolo Veronese, Louvre, em Paris.


O vinho ocupa nas necessidades do Homem um lugar de destaque, por ser a única bebida que, na civilização greco-latina, transporta em si um valor cultural.
Mesmo antes do cristianismo, ele representava mais do que um símbolo. 
Os escritores, os poetas gregos, helenísticos, latinos e, até, turcos, cantaram o vinho não só como fonte de satisfação material como, também, meio de excitar o espírito, de desenvolver o pensamento e, até, de favorecer a criação de sentimentos estéticos e morais.
O vinho foi sempre considerado como a mais nobre bebida, a primeira que se oferece a um convidado e a que melhor permite apreciar o talento do produtor. 



Não só as ferramentas e o material necessário para a viticultura são de uma riqueza extraordinária como, também, as aldeias, as casas e até a própria paisagem são moldadas pelo cultivo da vinha. A maneira de viver, os costumes e a mentalidade são particularmente marcados, pelo que é possível dizer-se que existe uma cultura ligada ao vinho.



vinho fazer caverna com garrafas de vindima antigas bebida, tradicional Winery indústria



O amor à arte e o amor ao vinho têm-se confundido ao longo da história das civilizações. 
A riqueza dos espólios existentes em museus e coleções particulares atesta em numerosos países que, em todas as épocas, os artistas puseram o seu talento ao serviço da vinha e do vinho, tanto na pintura, como na escultura, gravura, tapeçaria, miniaturas, iluminuras, ourivesaria, vitral, vidraria, cerâmica, etc.
Portugal tem uma cultura que se preza de possuir uma herança patrimonial muito rica, ligada à vinha e ao vinho e que remonta a uma época muito anterior à fundação da Nacionalidade, tornando-se necessário a sua preservação.

É esse o papel dos Museus do Vinho, eles representam os instrumentos indispensáveis para a compreensão da função civilizadora da vinha e do vinho.
O Instituto da Vinha e do Vinho está a desenvolver um projeto que visa a recuperação, preservação e disponibilização ao público do enorme espólio que possui, herdado da Junta Nacional do Vinho. Este projeto contempla também a reorganização e dinamização do Museu Nacional do Vinho, em Alcobaça.



O Museu Nacional do Vinho está instalado na antiga Adega que, em 1875, José Eduardo Raposo de Magalhães mandou edificar para aí implementar e desenvolver a vinicultura da região. Alcobacense ilustre, de índole generosa e de personalidade multiface data, licenciou-se em Engenharia Militar, cursou Filosofia e Matemática em Coimbra, foi, também, músico amador e regente, mas será na sua dedicação à Agricultura que irá dar alto renome à sua terra.Responsável maior pela fama e desenvolvimento da vitivinicultura de Alcobaça aplicou, na construção da sua Adega, a tecnologia mais avançada do seu tempo, patente ainda hoje na qualidade dos materiais, na racionalidade dos espaços e nas condições de higiene preconizadas.
Em 1948, a Junta Nacional do Vinho (JNV) , organismo corporativo e de coordenação econômica, adquire aos Herdeiros de José Eduardo Raposo de Magalhães, a referida adega e terrenos adjacentes, passando aí a funcionar a Adega Cooperativa e os Armazéns da JNV , devidamente modernizados e ampliados, nomeadamente na construção dos Depósitos "Air form".
Em 1968, decorrente do encerramento de alguns dos Armazéns da JNV, foi dado início à recolha de material vinário disperso nas suas várias Delegações. 
Exercendo, na época, funções de Delegado da JNV em Leiria, Manuel Augusto Paixão Marques , pessoa de grande sensibilidade para a conservação patrimonial, cedo se interessou pelo espólio que se adensava e que, por razões logísticas, ia sendo reunido em Alcobaça. 

Em 1976, com a passagem da Adega Cooperativa para novas instalações e correspondente desativação das adegas e dos depósitos, procedeu, então, à organização dos diversos espaços museológicos. Assim, ciente do valor histórico, científico e etnográfico das peças em questão, foi dando início a uma coleção única e preciosa, enriquecida, também, com doações e material posteriormente adquirido em antigas adegas e antiquários, que sistematicamente percorreu e aturadamente investigou, como todo o verdadeiro colecionador, em permanente busca de um ou outro objecto fundamental, temporariamente perdido.

A partir de 1986, com a Organização Comum de Mercado do Vinho, resultante as adesão de Portugal à Comunidade Econômica Europeia, foi criado o Instituto da Vinha e do Vinho , organismo que herdou o patrimônio documental, móvel e imóvel da extinta Junta Nacional do Vinho. 
É já na vigência desta instituição que o Museu Nacional do Vinho , em Alcobaça, abrirá as suas portas ao público, ocupando um núcleo de edifícios de indiscutível interesse arquitectónico e reunindo o mais importante espólio vitivinícola existente em Portugal.




Testemunho da evolução do sector, este Museu conta com um acervo de cerca de dez mil peças distribuídas pelas várias instalações coevas da primitiva adega: 
Adega dos Balseiros




Adega dos Depósitos 


Adega dos Vinhos Brancos 

Adega dos Vinhos Tintos 

Adega dos Tonéis . 
Em instalações anexas aos edifícios principais e testemunhando a intensa altividade que estes espaços conheceram outrora, existem, ainda, uma Abegoaria.



Oficina de Tanoaria 


uma antiga "Casa da Malta", única em Portugal, 
e uma Taberna.

Casta branca mais vulgarmente cultivada na Ilha da Madeira antes do aparecimento da filoxera, estimando-se que teria cerca de 2/3 do total das videiras existentes. No passado poderia ser encontrada ainda uma variedade tinta denominada por Verdelho Tinto.
Cacho de Alvarinho, casta característica do Vinho Verde

Em Portugal, como na Europa, são usadas numerosas castas de Vitis vinifera. A vastíssima quantidade de castas nativas (cerca de 285) permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia The Oxford Companion to Wine descreve o país como um verdadeiro "tesouro de castas locais".
Algumas das castas tintas Portuguesas mais importantes são: 
Touriga Nacional, Baga
Castelão
Touriga Franca 
Trincadeira (ou Tinta Amarela). 
Entre as castas brancas Portuguesas destacam-se: 
Alvarinho, 
Loureiro, 
Arinto
Encruzado
Bical
Fernão Pires
Moscatel
Malvasia Fina. 

Na sequência da devastação causada pela filoxera em finais do século XIX, passou a ser utilizada uma casta Americana como porta-enxerto das castas Portuguesas são enxertadas. Apesar de terem características próprias, há que considerar que a mesma casta de uva poderá produzir vinhos diferentes consoante as condições em que é cultivada.
Tem existido um debate em Portugal relativamente ao uso de castas de castas estrangeiras. O debate contínua uma vez que muitos mercados estrangeiros parecem preferir castas que já conhecem como Cabernet Sauvignon em relação às castas Portuguesas, menos conhecidas.


Edição de texto e fotos : Leila Bumachar
http://www.ivv.min-agricultura.pt/np4/26
http://www.ivv.min-agricultura.pt/np4/129.html
http://www.lifecooler.com/artigo/passear/museu-do-vinho-de-alcobaca/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinho